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Operação da PF contra Adail abala campanha de Omar e atinge núcleo estratégico no interior
Publicado em 16/09/2026 17:35
Política

Prefeito de Coari é um dos principais aliados de Omar Aziz; grupo político liderado por Adail tem influência eleitoral que ultrapassa o município e alcança Itacoatiara e outros importantes colégios eleitorais

 

A Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (16/9), provocou um forte abalo político na campanha de Omar Aziz ao Governo do Amazonas. A ação atingiu a administração de Coari, comandada por Adail Pinheiro, aliado declarado do senador e uma das principais forças do grupo que sustenta sua candidatura no interior.

 

Segundo informações divulgadas pela imprensa local, Adail Pinheiro e secretários municipais foram afastados dos cargos por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal confirmou oficialmente o cumprimento de 29 mandados de busca e apreensão, além do afastamento de servidores, mas não divulgou os nomes alcançados pelas medidas.

 

A operação investiga a possível atuação de uma organização criminosa em fraudes licitatórias, desvios de recursos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro relacionados à gestão municipal de Coari.

 

Um aliado central, não periférico

Adail Pinheiro não representa um apoio secundário na campanha de Omar. Ele é um dos principais aliados do candidato em Coari e lidera um grupo político com presença eleitoral em diversos municípios do interior.

 

Em março de 2025, Adail declarou publicamente apoio a Omar e reconheceu a participação do senador em seu retorno à Prefeitura de Coari.

 

“Eu sou prefeito de Coari com sua ajuda”, afirmou Adail na ocasião, antes de anunciar Omar como seu candidato ao Governo do Amazonas.

 

A aliança avançou ao longo dos meses. Adail, Omar, o senador Eduardo Braga e o deputado federal Adail Filho passaram a dividir agendas, inaugurações e atos políticos em Coari. Em abril deste ano, Adail Filho oficializou sua pré-candidatura à reeleição em um evento realizado ao lado do pai, de Omar e de Braga.

 

Influência chega a Itacoatiara e outros municípios

O impacto político da operação ultrapassa os limites de Coari. O grupo liderado por Adail Pinheiro tem no deputado federal Adail Filho uma de suas principais pontes com outros grandes colégios eleitorais do interior.

 

Em Itacoatiara, onde Adail Filho recebeu 5.097 votos nas eleições de 2022, o parlamentar participou de agendas e atos de campanha ao lado de Omar, do prefeito Mário Abrahim, do deputado estadual Thiago Abrahim e de Eduardo Braga.

 

O grupo também registra presença eleitoral em Manacapuru, Tefé, Iranduba, Tabatinga, Borba e outros municípios. Por isso, a ofensiva da Polícia Federal não atinge apenas uma prefeitura aliada: alcança um núcleo considerado estratégico para a sustentação da candidatura de Omar fora de Manaus.

 

 

Investigação começou com R$ 1,25 milhão

A investigação teve início após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie com três empresários do Amazonas, no Aeroporto Internacional de Brasília, em maio de 2025.

 

A partir da análise de documentos, movimentações financeiras e equipamentos eletrônicos, os investigadores identificaram indícios de uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros.

 

A Polícia Federal apura suspeitas de direcionamento de licitações, desvios de recursos públicos, pagamentos de vantagens indevidas e operações destinadas a ocultar a origem e os destinatários finais do dinheiro.

 

Desgaste na reta final

Até o momento, não existe informação oficial de que Omar Aziz seja investigado ou tenha sido alvo da operação. O impacto sobre sua candidatura é político e decorre da proximidade pública mantida com Adail e com o grupo da família Pinheiro.

 

Na reta final da eleição, uma aliança apresentada até agora como demonstração de força no interior passa a representar uma fonte de desgaste para Omar. O afastamento de um dos seus principais aliados, em uma investigação que envolve suspeitas de corrupção, desvios e lavagem de dinheiro, coloca a campanha sob pressão e abre questionamentos sobre as companhias políticas escolhidas pelo candidato.

 

Fotos: Divulgação

 

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