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Thaynara Almeida avalia os desafios do crescimento do comércio global
Publicado em 14/08/2026 08:00
Brasil - Internacional

Avanço das transações internacionais amplia oportunidades, mas exige maior controle sobre fornecedores, custos, logística e conformidade regulatória.

 

O comércio mundial de mercadorias manteve a trajetória de crescimento no início de 2026. Dados da Organização Mundial do Comércio mostram que o volume negociado avançou 1,9% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores e 3,2% na comparação anual. Em valor, a expansão chegou a 11% sobre o mesmo período de 2025.

 

O aumento das transações favorece o acesso a novos fornecedores, produtos e tecnologias, mas também eleva a complexidade das operações. A negociação internacional é apenas uma das etapas. Classificação fiscal, transporte, seguro, documentação, controle de qualidade e atendimento às regras do país importador podem alterar custos e prazos.

 

As exigências variam conforme o produto e o mercado de destino. Mercadorias dos setores de tecnologia, saúde, alimentos, telecomunicações e bens de consumo podem depender de testes, certificações ou autorizações específicas. Uma compra iniciada sem essas verificações pode resultar em atraso, retenção da carga ou impedimento de comercialização.

 

A empresária e consultora Thaynara Nogueira de Almeida atua na estruturação de operações de comércio exterior desde agosto de 2020. É CEO e sócia majoritária da Jacob Comércio e Importadora Ltda. e da Imporfy Ltda., empresas nas quais participa da definição de estratégias, da negociação com fornecedores e do planejamento de importações.

 

Thaynara concluiu MBA em Gestão Estratégica em Comércio Exterior pela Faculdade Líbano. Sua formação também inclui estudos em logística internacional, cadeia de suprimentos e Direito Aduaneiro. Em 2026, passou a integrar a Associação de Comércio Exterior do Brasil e mantém registro no Conselho Regional de Administração do Tocantins.

 

Sua experiência profissional envolve operações com produtos tecnológicos e outras categorias submetidas a exigências técnicas. O trabalho inclui avaliação de fornecedores internacionais, organização documental e comunicação entre fabricantes e profissionais responsáveis pelo cumprimento das normas brasileiras.

 

“Como consequência, muitas empresas deixam de explorar oportunidades internacionais ou operam com margens reduzidas e riscos elevados”, afirma Thaynara. Segundo a consultora, a dificuldade aparece quando preço e prazo recebem mais atenção do que especificações técnicas, custos indiretos e obrigações regulatórias.

 

A escolha do fornecedor representa um dos pontos mais sensíveis. Capacidade produtiva e preço declarado não bastam para comprovar qualidade, rastreabilidade ou cumprimento das características contratadas. Amostras, inspeções, contratos e critérios de aceitação ajudam a reduzir falhas, embora não eliminem todos os riscos.

 

A distância entre fabricante e importador também pode dificultar a identificação de mudanças na produção. A substituição de matérias-primas ou componentes, por exemplo, pode afetar a qualidade da mercadoria e sua conformidade com testes ou certificados já emitidos.

 

Outro fator relevante é o custo total da operação. Frete, seguro, tributos, armazenagem, testes, despesas portuárias e variações cambiais podem diminuir a margem prevista. A importação somente se mostra vantajosa quando esses elementos são analisados antes da compra e comparados com outras alternativas disponíveis.

 

Fabricantes, operadores logísticos, laboratórios, importadores e autoridades exercem responsabilidades diferentes. A falta de comunicação entre essas partes aumenta a possibilidade de retrabalho e atraso. Por esse motivo, o planejamento precisa aproximar as áreas comercial, logística e regulatória desde o início.

 

A consultoria de comércio exterior pode organizar informações, avaliar alternativas e preparar a operação para a participação dos profissionais habilitados. Essa atividade não substitui despachantes aduaneiros, advogados, laboratórios ou responsáveis técnicos. Seu papel está na coordenação do processo e na identificação antecipada de riscos.

 

O crescimento do comércio global não significa que toda importação seja economicamente adequada. A decisão depende da natureza do produto, da demanda, da capacidade financeira da empresa e das regras aplicáveis. Em alguns casos, fornecedores locais podem oferecer condições mais competitivas quando todos os custos são considerados.

 

(Foto: Divulgação)

Fonte: Gabriel Silveira/acritica.com

 

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