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Ladainha de São João mantém viva tradição do Garantido em Parintins
Publicado em 25/06/2026 12:31
Arte & Cultura

Celebração realizada na Baixa do São José preserva promessa de Lindolfo Monteverde há 113 anos

 

“Meu São João. Meu São João. Eu vim pagar a promessa de trazer esse boizinho para alegrar a sua festa. Olhos de papel de seda e o coração na testa”. A música dedicada a São João Batista, protetor do boi Garantido, marca o início de mais uma Ladainha no Curralzinho da Baixa do São José, em Parintins (distante 369 quilômetros em linha reta de Manaus), na noite desta quarta-feira (24).

 

Famílias, torcedores e moradores participam da celebração que há mais de um século integra o calendário cultural e religioso do Garantido. Foto: Jeiza Russo/A Crítica

 

O boi Garantido participa da celebração com os chifres adornados por fitas dedicadas a São João Batista, padroeiro do bumbá. Foto: Jeiza Russo/A Crítica

 

 Na capela construída em honra ao santo, Maria do Carmo Monteverde, 88 anos, dá continuidade à promessa feita pelo próprio pai, Lindolfo Monteverde, fundador do boi Garantido, há 113 anos. O dia 24 de junho também é considerado o aniversário do boi da Baixa do São José.

 

“Vivemos felizes porque meu pai fundou esta cultura aqui. E hoje eu vejo que ela está no mundo inteiro”, declarou Maria do Carmo.

 

Maria do Carmo Monteverde, filha de Lindolfo Monteverde, mantém viva a promessa que deu origem à tradição da Ladainha de São João na Baixa do São José. Foto: Jeiza Russo/A Crítica

 

No altar em frente à capela está a figura de São João Batista. Conta a história na Baixa do São José que Lindolfo viajou para Manaus para se alistar no Exército. Na capital, ele adoeceu e fez a promessa ao santo de colocar um boi na rua todos os dias 24 de junho caso tivesse a saúde restabelecida. E assim, a ladainha e a saída do boi Garantido pelas ruas da cidade parintinense começaram a partir do curralzinho que, naquela época, tinha chão de barro batido.

 

Rayssa Carvalho, 34 anos, emocionada, aguardava o início da reza cantada. Ela participa pela primeira vez da ladainha.

 

Rayssa Carvalho participa pela primeira vez da Ladainha de São João e destaca a emoção de vivenciar uma das tradições mais antigas do Boi Garantido. Foto: Jeiza Russo/A Crítica

 

“Faz 11 anos que eu não piso em Parintins, no festival. E neste ano eu vim com o intuito de, exatamente, estar aqui nesse momento da ladainha. O Garantido é isso. É o boi da promessa e da fé. Eu vim renovar a fé e é um momento único que vou levar para toda a minha vida. Eu nunca estive na ladainha e, para mim, já está sendo emocionante”, declarou a torcedora.

 

A professora Andréa Moraes, 52 anos, cultua a religião de matriz africana. Ela lembra que São João Batista é sincretizado com Xangô, divindade orixá considerada o “senhor da justiça”.

 

A professora Andréa Moraes acompanha a celebração e destaca a importância da fé e do sincretismo religioso presentes na tradição garantida. Foto: Jeiza Russo/A Crítica

 

“É um momento emocionante. Eu acompanho desde criança. É um momento de fé. Hoje é dia de São João Batista, que na minha religião é Xangô. Ele é tudo. Salve o dia de hoje, salve Xangô, ele que é rei e pai dos orixás. Que a ladainha da dona Maria do Carmo continue por muitos anos”, disse.

 

Após a ladainha realizada no antigo curral, o boi Garantido, com os chifres adornados por fitas dedicadas a São João Batista, percorre as ruas da Baixa do São José e dança diante das fogueiras erguidas pelos moradores em frente às suas casas. O ritual integra a promessa feita por Lindolfo Monteverde, fundador do bumbá.

 

Torcedores e moradores da Baixa do São José acompanham a Ladainha de São João, celebração que antecede a saída do boi Garantido pelas ruas do bairro. Foto: Jeiza Russo/A Crítica

 

“Hoje é o dia de São João Batista, o dono desta cultura”, destacou Maria do Carmo.

 

Ladainha de São João reúne devotos e torcedores no Curralzinho da Baixa do São José, mantendo viva a promessa que deu origem ao Boi Garantido há 113 anos (Foto: Jeiza Russo/A Crítica)

Fonte: Robson Adriano/A critica

 

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