BRASÍLIA – “Quando o dinheiro da saúde desaparece, não é o político que sofre. Quem sofre é o povo, são os mais pobres”, declarou o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) sobre o requerimento protocolado nesta quinta-feira (19/02), cobrando do Ministério da Saúde explicações relativas ao desvio de cerca de R$ 30 milhões do Programa Farmácia Popular.
O parlamentar destacou que o caso já está sendo investigado pela Polícia Federal, com apoio técnico da Receita Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), e há indícios da atuação de uma organização criminosa especializada em fraudar o Farmácia Popular em escala nacional.
“Sabe o que isso significa? Significa idoso sem remédio, mãe sem antibiótico para o filho, doente fazendo vaquinha para sobreviver, enquanto o governo posa de defensor dos pobres. A polícia já está investigando, mas eu quero saber quem deixou isso acontecer, quem assinou e quem ganhou com isso”, afirmou.
Resposta à população
O documento questiona, entre outros pontos, quais mecanismos de auditoria o Ministério da Saúde possui para detectar vendas fictícias no Programa Farmácia Popular, bem como o motivo de esses sistemas não terem identificado o esquema de R$ 30 milhões antes da denúncia.
Para o deputado, o governo deve respostas à população, pois não existe “erro administrativo” quando se fala em milhões destinados à saúde. Segundo ele, trata-se de mais um escândalo de corrupção.
“Não vou aceitar nenhuma cortina de fumaça. Dinheiro público não é patrimônio de governo. Dinheiro público é sagrado, é do povo. E quem for responsável vai ter que pagar. Não vamos ficar calados diante de tanta corrupção”, afirmou.
Organização criminosa
As investigações identificaram, entre sequestro de contas bancárias, veículos e imóveis, valores que ultrapassam R$ 8 milhões, envolvendo pessoas jurídicas e físicas que integrariam um esquema criminoso.
Para o deputado, a apropriação de recursos destinados à saúde pública representa não apenas um crime contra o patrimônio público, mas também um atentado direto contra a vida e o bem-estar de milhões de brasileiros que dependem do Programa Farmácia Popular para ter acesso a tratamentos essenciais.
“Cada real desviado é um real a menos para ampliar a cobertura do programa, incluir novos medicamentos, credenciar mais farmácias em regiões desassistidas ou subsidiar tratamentos para pessoas em situação de vulnerabilidade”, destacou Capitão Alberto Neto.
Foto: Arquivo Assessoria
Fonte: Juliana Mattos